Houve um tempo que um bom goleiro de um time do interior podia sonhar em jogar na dupla Gre-nal. E até em se tornar titular. Picasso, do Cruzeiro para o Grêmio, no anos 60, Bagatini e Gasperin, do Caxias, para o Inter ( Gasperin, jogou também no Grêmio), o quase “anão”, Jair, do Caxias para o Grêmio, nos anos 70, Mano, do São Borja par o Internacional nos anos 80, e, e, é, já começa a rarear os exemplos. Michel Alves, do Juventude, para o Internacional, na década passada.

Hoje, o mais comum é um goleiro da base da dupla, sem aproveitamento, ir jogar no interior, ou um da base de algum clube do interior, vir para a capital, casos de Folmann, do Juventude para o Grêmio, e Ânderson, do Caxias, para o Internacional.

Mas, já era naquele tempo, e mais ainda hoje, raramente um goleiro “já rodado”, recebe esta oportunidade. Foi o caso de Bruno Grassi, melhor goleiro do Gauchão 2015 pelo Cruzeiro, contratado pelo Grêmio para jogar enquanto Marcelo Grohe estivesse na seleção.

Contratado com esta finalidade, Grassi chegou no momento em que Felipão deixava o  comando técnico tricolor e Roger Machado assumia em seu lugar. Talvez por também ser oriundo da base, Roger resolveu das chances para Tiago Machowiski, e Grassi só foi ter suas primeiras oportunidades depois de o Grêmio deixar escapar vários pontos por falhas de Tiago. Comentou-se até, que, tivesse Bruno Grasse entrado antes, o Grêmio teria ficado, no mínimo, com o vice-campeonato nacional naquele ano (ficou em terceiro).

Mas e no finas das contas, valeu ter contratado Bruno Grassi ?

Aos 29 anos, completados em cinco de março, esse catarinense de Tubarão, 1,92 m e 87 quilos, foi goleiro do Internacional em 2006, 2007.

Sem receber chances do colorado, e nem ser titular das formações que integrou, resolveu “andar pelo mundo da bola”. Foi para Portugal em 2008 e ficou por quatro temporadas no Marítimo, da Ilha do Funchal. Sem se afirmar, quando foi emprestado para o Tourizense, da “cacagésima “divisão lusitava, decidiu que era hora de voltar.

Em 2010 estava de volta ao seu Estado, jogando no despretensioso Concórdia, Dali, foi para o Ypiranga de Erechim, disputar o Gauchão de 2011 e depois, o Acesso pelo São Paulo de Rio Grande.

Em 2012 aventurou-se pelo Araripina, de Pernambuco, e quase passou fome. Pensou em largar o futebol. Comentou isso coma  esposa, até, sentando em um banco de praça, num dia de semana, muito quente, do sertão pernambucano. As “latinhas” estavam ficando vazias na sua humilde residência.

Resolveu insistir mais um pouco, no entanto e atendeu a um convite para jogar no Mogi-Mirim-SP, onde quase não teve chance. Nova desilusão.

Emprestado para o Passo Fundo no final daquela temporada, sua vida começou a tomar rumo. Foram duas temporadas e meia de boas campanhas no time do Planalto e de afirmação como titular.

No final de 2014 uma nova aventura, mas num clube de pretensões e em divisão nacional, o Águia de Marabá. No ano seguinbte, após iniciar a temporada no Pará, ainda surgiu um convite par voltar ao Rio Grande do Sul, jogar no Cruzeiro. Grassi sabia que estaria longe da mídia, num clube em estruturação, sem estádio, mas resolveu apostar em si mesmo. Como o melhor salário do clube, fez um grande gauchão e foi contratado pelo Grêmio, aos 27 anos.

Enfim, Grassi estava em um grande clube, coisa rara para uma idade em que, quando já se cansou de rodar por times pequenos,  um profissional já começa a se conformar.

No tricolor foram 11 jogos apenas, até aqui, sem nenhuma estupenda atuação, mas com grande regularidade. Ou seja, sequencia de uma carreira mediana.

Para o Grêmio, o investimento foi quase nulo- foi emprestado pelo Cruzeiro, já que tinha contrato até o final de 2015-, mas dificilmente viria um goleiro do seu nível, se estivesse em um grande clube, pelo salário que Bruno Grasse recebe.

E com Grassi no Grêmio,  já na sua segunda temporada, definitivamente os goleiros dos clubes do interior gaúcho, mesmo já com “vinte e tantos”, podem continuar sonhando com a dupla gre-nal, ou com o Grêmio, pelo menos.

 

 

Rogério Bohlkebruno_grassi_site_oficial