Perivaldo, o Peri de Pelotas, como chegou a ser chamado quando chegou ao Botafogo do Rio, é porto-alegrense mas se destacou no Pelotas, no início dos anos 90. Jogou mais no futebol catarinense, onde se radicou, e hoje, tem uma grande imobiliária em Camboriú, onde mora.

No Pelotas, com Cassiá de técnico, atuava na meia esquerda. Muitos acham que se Cassiá Carpes tivesse colocado ele desde o início, contra o Grêmio na Boca do Lobo, no returno do quadrangular da semi-final do Gauchão de 1992, o áureo-cerúleo, que havia vencido o tricolor no Olímpico no turno- 1 x 0, gol de Luiz Carlos Gaúcho- teria vencido e se classificado para a decisão. Eram dois quadrangulares e os campeões decidiriam o título ( deu Gre-nal e o Inter foi o campeão).

O time da Zona Sul havia terminado o turno na liderança, com cinco pontos ( vitórias sobre o Grêmio em pleno Olímpico e no Bra-pel na Boca do Lobo e empate contra o Inter, em Santa Maria). O Grêmio tinha três pontos. Se perdesse, ficaria quatro atrás, faltando dois jogos. Poderia no máximo alcançar o Lobão.

Mas, Perivaldo não foi escalado e o Pelotas perdeu por 3 x 1, viu o tricolor alcançá-lo ( seis de dezembro, 1 x 3 ) e depois, ao perder o Bra-pel no Bento Freitas, ver o Grêmio assumir a liderança e confirmar a classificação para a final.

Luis Carlos Vargas, o Perivaldo, pela semelhança com o ex-jogador do Bahia e Botafogo, falecido neste ano, nasceu em cinco de julho de 1972. Começou na base do Pelotas e se profissionalizou. Na época, um pouco antes, surgiu um outro grande jogador pelos lados da Boca do Lobo: Alexandre Xoxó.

Chegou no Pelotas em 1986 , para jogar nos juvenis. Bem jovem, foi fazer testes no time reserva. No primeiro treino, fez fila e quase teve a perna quebrada pela dupla de zaga formada por Jéferson e Vinícius, que cansaram de ser driblados no treino.

Naquele ano de 1992, o time base do Pelotas tinha Juarez ( que jogava sempre com um galho de arruda atrás da orelha), Bruno ( que nocauteou Denner, no ano seguinte, com um cotovelaço, na noite em que o tricolor sagrou-se campeão gaúcho da Boca do Lobo), Eduardo, Rogério e Toninho Carlos (paulista de Bauru) , Paulo César, Róbson e Perivaldo, Benê, Geraldo e Alexandre Xoxó.

Disputado pela dupla gre-nal, Perivaldo acabou no Botafogo. Seu empresário era o “Adaozinho do Taxi”, cujo ponto ficava na esquina na Deodoro com Sete de Setembro. Ele, seria, depois, delegado de arbitragem da Federação, na cidade.

Em 1993, Perivaldo foi, finalmente para o Botafogo. A novela se arrastou por todo o final daquele ano de 92. Inter e Grêmio queriam o jogador por empréstimo, apenas, e como sempre, quase de graça.

No Botafogo, foi titular num time que tinha Carlão, Perivaldo ( já como lateral), Rogério, André Duarte e Nélson, André, Berg, Juninho e Eliel, Marcos Paulo e Sinval. Quando chegou, tentaram mudar seu nome para Bob, mas não colou. A semelhança com o ex-craque botafoguense prevaleceu

Certa vez, e a história foi contada por Nilton Santos, a Enciclopédia do Futebol, o melhor lateral esquerdo da história, em um programa de TV, o técnico Carlos Alberto Torres, o Capita, orientava um coletivo. Perivaldo estava fora e, de repente, foi chamado para entrar no time titular. Isso foi logo quando chegou ao clube.

Em certo momento, a bola correu em direção ao lateral e Perivaldo, chegou na linha de fundo e centrou a bola lá para fora do estádio. Carlos Alberto ficou “puto da cara” e foi mostrar para ele como deveria fazer. Rolaram a bola para o Capita que, de primeira mandou na cabeça do atacante. Novamente lançaram a bola para o Perivaldo que mandou um chute reto para a lateral.Nem para a linha de fundo, ela foi.

Nisso, Nilton Santos diz para Carlos Alberto.

-Manda ele trocar !

Carlos Alberto diz:

-Não dá. Ele só bate com a esquerda.

Nisso, A “Enciclopédia ” diz:

-Não ! Manda ele trocar as chuteiras. Ele só pode estar com a direita no pé esquerdo e a do pé esquerdo o pé direito. Só pode. Vai chutar torto assim no São Cristóvão, meu !

Perivaldo fez um gol na final da Conmebol em 93, contra o Penharol, onde o time carioca ficou com o título nos pênaltis.

Em 97 foi para o Marítimo de Portugal. Voltou ao Brasil em 99 para jogar pelo Figueirense. Passou ainda por Bahia, Paraná, Avaí, Coritiba e Joinville, onde encerrou a carreira em 2006.